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Um discussão sobre amor e sexo num dos melhores filmes pornôs já feito.

The Story of Joanna, filme de 1975, dirigido por Gerard Damiano (o mesmo de Garganta Profunda). Mr. Damiano queria para esse que foi o terceiro filme dele, adaptar o clássico da literatura BDSM, A História de O. Ele não conseguiu os direitos. Mas não se deu por vencido e adaptou um dos capítulos do livro, misturando a uma estória de Sartre.

De certa forma, The Story of Joanna mesmo não sendo um dos filmes mais famosos de Gerard Damiano, O Diabo na Carne de Miss Jones e Garganta Profunda possuem esse posto, é certo que o seu terceiro filme é o seu melhor trabalho e uma das obras-primas do periodo dourado do cinema pornográfico americano. Um dos poucos filmes pornográficos a fazer bom uso de elementos bdsm na criação de uma narrativa poderosa.

Jamie Gillis um dos melhores atores (ator mesmo), que já passaram pela indústria. E aqui ele está brilhante no papel de Jason, um recluso aristocrata que se torna o amor de Joanna. Joanna que é o papel de Terri Hall, uma não muito brilhante atriz, mas um dos corpos mais belos da pornografia setentista, afinal, uma ex-bailarina do Stuttgart Ballet, e que na vida real tinha um fraco pelo BDSM, talvez por isso ela tenha tirado de letra as cenas de spanking, bondage e submissão presentes no filme.

A dinâmica do relacionamento amoroso é estabelecida logo cedo no filme. E a narrativa segue a linha típica dos clássicos bdsm no que se refere ao conceito de iniciação e jornada de auto-descoberta da garota que se submete estoicamente a todos os desejos do homem que ela ama e do homem que corrompe a natureza de aparente pureza dessa jovem. O Marquês de Sade ficaria orgulhoso desse filme.

Assim como em seu filme anterior, O Diabo na Carne de Miss Jones, Damiano mantém a criação de um teor atmosférico, quase lúgubre para a narrativa, que ajuda ainda mais a sedimentar aquilo que a história se propõe. Além disso, essa característica, parece ter sido feita com um total desrespeito tanto para o nicho de audiência ou convenções do gênero.

Este é um filme que é totalmente desprovido de nudez até que transcorrida quase que um quarto de hora, e uma dessas primeiras cenas é uma que integra uma seqüência de demorada de ballet  muito antes da primeira cena de sexo prolongado. A mais impressionante cena de sexo entre todas dentro do filme (e possivelmente algo único no mundo do hardcore heterossexual) é o ato de sexo oral que o mordomo aplica em seu mestre. É interessante notar que, embora o conteúdo sexual seja bastante esparso para os padrões contemporâneos (de fato, o primeiro e terceiro atos são quase totalmente livre desses elementos) há uma série de cenas que poderiam ser considerados transgressivas. Além do referido boquete, o filme contém cenas de sexo grupal, dupla penetração, fisting e o estabelecimento de uma coerção protaganista/heroína que seria desaprovada hoje.

Apesar de toda aparente brutalidade, ainda mais para àqueles que não entendem a dinâmica erótico-afetiva de uma relação BDSM e que, verdade seja dita, essa brutalidade é mais psicológica do que física, este é um filme sem sombra de dúvida, elegante. As locações espetaculares e o figurino cuidadoso são certamente um fator, mas uma menção especial deve ser dada a cinematografia lânguida. A cena de sexo entre Terri Hall e Zebedy Colt (o mordomo) é particularmente relevante aqui, inteiramente rodada em extremo close-up, a câmera se arrasta lentamente apenas por partes identificáveis do corpo, dando um resumo, quase onírico, de um encontro carregado de emoção. A onipresente trilha sonora clássica, por vezes ameaçadora e por outras etérea, também contribui enormemente para o ar geral de decadente refinamento.

The Story of Joanna se mantém como um clássico exemplo de um período quando os filmes pornográficos eram feitos com ao mesmo tempo grandes aspirações artísticas e o desejo por reconhecimento de um credibilidade dos críticos.

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